Consultoras do Ministério da Saúde visitaram a MDV em Dezembro

Os índices de mortalidade neonatal são um desafio para o sistema de saúde brasileiro. Por esta razão, o avanço na assistência perinatal tem sido tratado como uma das prioridades na agenda das políticas públicas no Brasil. Sabe-se que a boa qualidade da atenção ao recém-nascido de baixo peso pode reduzir a mortalidade neonatal em países em desenvolvimento, por esse motivo muitos deles tentaram introduzir a tecnologia convencional de tratamento intensivo e de cuidados intermediários utilizada nos países industrializados, mas não obtiveram sucesso, pois há necessidade de equipamentos de alto custo e profissionais médicos e de enfermagem especializados.

A permanência prolongada de crianças que muitas vezes, em conseqüência de sua imaturidade extrema, não sobreviveriam à primeira semana de vida em outras épocas, motivou da mesma forma a formação de uma legião de pacientes sujeitos ao desmame precoce e aos distúrbios psicológicos e de desenvolvimento secundários ao afastamento prolongado de mãe e filho imposto pelo modelo assistencial vigente.

O Ministério da Saúde do Brasil já afirmou que possível prestar uma atenção perinatal segura, de elevada qualidade e, ao mesmo tempo, solidária e humanizada, através do Método Canguru. Neste tipo de tratamento, as crianças prematuras permanecem em contato íntimo com as suas mães. Com a permanência contínua da díade em contato físico pele-a-pele, esses bebês conseguem manter a temperatura corpórea, alimentar-se e interagir com suas genitoras viabilizando a sua sobrevivência, de forma semelhante ao que ocorre com os marsupiais, pelo que se denominou a técnica de Método Canguru.

O Método Canguru um modelo de assistência perinatal voltado para o cuidado humanizado que reúne estratégias de intervenção bio-psico-social. O Método Canguru faz parte de uma proposta de busca de atenção à saúde, centrada na humanização da assistência neonatal, proporcionando inúmeras vantagens, entre elas o estímulo ao aleitamento materno.

Para normatizar o uso desse tipo de tratamento nos complexos hospitalares nacionais, o Ministério da Saúde, através da Área da Saúde da Criança e Aleitamento Materno, apresentou, em dezembro de 1999, as “Normas de Atenção Humanizada do Recém-Nascido de Baixo-Peso – MÉTODO CANGURU”. O método proposto é desenvolvido em três etapas.

A primeira etapa, iniciada desde o pré-natal de risco, é caracterizado pelo estímulo ao contato tátil da mãe com o RN de forma intermitente durante as visitas da mesma à unidade neonatal, e pelo incentivo ao AM. Para o estabelecimento desse contato direto com seu filho, o berçário de risco precisa dispor de espaço adequado para a permanência da mãe, bem como devem ser oferecidos vale-transporte e refeições. A família será orientada quanto aos procedimentos e rotinas do hospital, e terá livre-acesso, inclusive para que o contato progressivo culmine com a colocação do RN sobre o tórax da mãe ou do pai.

A segunda etapa consiste em manter a posição canguru, pelo maior tempo possível, entre o RN estabilizado e sua mãe, estando a díade adequadamente alojada em acomodação específica dentro da maternidade, recebendo atenção diuturna de profissionais de enfermagem. A mãe precisa querer participar do programa e ter capacidade para perceber alterações clínicas que coloquem em risco o RN.

A terceira etapa ocorre após a alta hospitalar, quando deverá haver contato físico permanente entre a díade, em posição canguru, na residência familiar. A reavaliação pelos profissionais de saúde é feita em visitas ambulatoriais periódicas, oportunidade em que recebem atenção multidisciplinar.

A Maternidade Darcy Vargas trabalha esta metodologia desde 2000, e agora busca ser a referência estadual para o Método Canguru. A adoção do Método Canguru demanda uma verdadeira revolução nos hábitos de manejo clínico dos RNBP em unidades neonatais, e um treinamento em educação para a saúde de todos os seus funcionários. O êxito na implantação do Método Canguru depende, em grande parte, de uma equipe de saúde envolvida e dedicada. Na MDV, contamos com a enfermeira Madalena, terapeuta ocupacional Glória Aparecida Santos, psicóloga Karina Zimermannn, pediatra Maria Beatriz R. do Nascimento e assistente social Zaira Alchieri.

Durante os dia 5, 6 e 7/12, a MDV recebeu visita de consultoras do Ministério da Saúde, que foram a assistente social Mariana Barcelos do HU da UFSC, e a médica pediatra Dra. Mari Elisia de Andrade do Hospital de Itapecerica da Serra (SP).

Em 2012, novos cursos e treinamentos serão realizados para habilitar profissionais na humanização dos cuidados hospitalares e ambulatoriais a gestantes, puérperas e ao recém-nascido de baixo peso.

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