Gravidez na Adolescência por Dr. Fernando Marques Pereira

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A gravidez abaixo dos 18 anos, salvo raras exceções, não é planejada, torna-se um grande problema familiar e social, como adiar ou comprometer um futuro nos estudos e no mercado de trabalho, podendo repercutir por toda a vida. Com o processo de modernização e avanço da inclusão social, o início da maternidade tende a ser postergado, quando adolescentes têm a oportunidade de permanecer na escola e poder contar com boas ofertas de emprego. Esta autonomia profissional é fundamental para que a decisão de casar e/ou ter filhos seja feita de maneira livre e consciente.

Há no mundo 580 milhões de adolescentes e 7,3 milhões dão à luz por ano nos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil. Destas, 70 mil gestantes morrem por complicações do parto. Na região, o número de gestantes adolescentes vem se mantendo estável, com leve tendência de queda nos últimos cinco anos, de 20% para 18% em média, o que equivale à média de 50 partos/mês na Maternidade Darcy Vargas, em Joinville. O estudo de nossa região mostra que 70% destes partos são de Joinville e 30% de cidades vizinhas, com maior número de Araquari, Barra Velha e Garuva.

É considerável o impacto na saúde pública, na assistência ao pré-natal e nas condições específicas e humanizadas para o atendimento destas gestantes e suas famílias. A gravidez nesta faixa etária sempre traz repercussão social e familiar, como a violência doméstica e a deturpação da sexualidade. O melhor caminho é a prevenção.

Para rompermos este ciclo e assegurarmos que as adolescentes alcancem o seu pleno potencial, podemos: 1) Investir em políticas, programas e ações que promovam os direitos, a autonomia e o empoderamento dos adolescentes, em relação ao exercício de sua sexualidade e de sua vida reprodutiva, sem coerção ou discriminação. 2) Garantir o acesso de adolescentes à informação e linguagem corretas e ao acesso à educação integral em sexualidade. 3) Assegurar o acesso às ações e aos insumos de saúde sexual e reprodutiva, como os métodos anticoncepcionais. 4) Envolver as famílias, comunidades e serviços profissionais de saúde na resposta adequada às necessidade e demandas dos adolescentes. 5) Garantir a participação de adolescentes nos processos de decisão como condição fundamental para os avanços e realização de seus direitos.

Dr. Fernando Marques Pereira * Médico pediatra (neonatologista) e Diretor da Maternidade Darcy Vargas

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